Mário Christ

Acidente de trabalho com mãos. Perdeu uma mão por usar uma alavanca de improviso. 24 anos de experiência não evitaram a tragédia:

  • Colaborador experiente e muito bem treinado. Há 13 anos no mesmo setor numa indústria;
  • Não desligou a máquina para fazer o destravamento, depois de 3 vezes com problemas;
  • Usou uma alavanca e ao tentar soltar o rolo sua mão direita foi esmagada imediatamente;
  • Narra os fatos, o socorro, o impacto para a família, a amputação, o retorno para casa, os momentos de depressão;
  • Enfatiza a importância do comportamento seguro, uso da atenção, bloqueio de máquinas, uso de EPIs e como faz falta a perda de um membro.

O perigo da autoconfiança na indústria

Mário Christ era um colaborador experiente, dedicado e extremamente bem treinado. Ele trabalhava desde 1984 na indústria e, por mais de duas décadas, atuava diretamente no processo industrial de papel e celulose. Durante 13 anos, operou exatamente a mesma máquina, conhecendo cada detalhe de funcionamento. No entanto, mesmo com toda essa experiência, Mário sofreu um acidente de trabalho que mudou drasticamente sua vida. Afinal, como alguém que sabia tudo sobre o processo poderia perder a mão esquerda? O que realmente deu errado naquele dia?

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Com o passar do tempo, Mário desenvolveu uma confiança elevada. Tudo era feito de forma automática, quase mecânica, já que repetia as mesmas tarefas diariamente. Além disso, era comum ouvir entre os colaboradores conselhos e técnicas improvisadas para “quebrar galhos” quando o papel ficava preso no rolo de tração. Essa cultura silenciosa da improvisação, somada à autoconfiança, foi contribuindo para um cenário propício a um futuro acidente de trabalho.

O dia do acidente e a improvisação

No dia 09 de abril de 2008, sua rotina mudou completamente. Duas paradas já haviam ocorrido na máquina. Novamente, o papel ficou preso nos rolos e, para evitar o bloqueio formal, Mário decidiu usar o famoso “quebra galho”. Essa prática era informalmente aceita entre alguns colaboradores, mesmo representando um enorme risco. Assim, Mário colocou a alavanca para tentar soltar o papel preso. Porém, posicionou a mão no meio da alavanca, ficando muito próximo do rolo de tração.

Nesse instante, a situação fugiu do controle. A alavanca se soltou abruptamente, o rolo voltou a girar e, em frações de segundo, o experiente colaborador sofreu um grave acidente de trabalho. A falta de análise de risco, o comportamento inseguro e a autoconfiança excessiva culminaram na perda de sua mão esquerda. O que parecia apenas “mais um dia comum” se transformou em um acidente de trabalho devastador.

O impacto emocional e a amputação

Após o acidente, o socorro foi angustiante. Durante a cirurgia, Mário começou a refletir sobre como seria sua vida dali em diante. Medo, incerteza e desespero tomaram conta do momento. Sua esposa, ao ser chamada para autorizar a amputação, chorou desesperadamente no carro, no estacionamento do hospital. Era impossível imaginar que um acidente de trabalho pudesse causar tamanha dor emocional.

A recuperação foi longa e desafiadora. Após a alta, Mário precisou reaprender tudo: desde se vestir até segurar talheres. Foram dois anos de sessões com psicóloga para tratar a depressão, o pânico e as dores fantasmas. Ele vivenciou um verdadeiro luto pela perda do membro e pela vida que havia deixado para trás em consequência do acidente de trabalho. Sua família sofreu profundamente, e ele também.

O recomeço na Segurança do Trabalho

Sete meses depois, Mário foi chamado para retornar à empresa. Como alternativa, ofereceram-lhe trabalhar na área de Segurança do Trabalho. Inicialmente, encarou aquilo como um castigo, uma lembrança constante do acidente-de-trabalho que mudara tudo. No entanto, com o tempo, percebeu que essa era uma oportunidade de transformar sua dor em prevenção. Fez o curso técnico e passou a atuar como multiplicador de segurança dentro da indústria.

Anos depois do acidente-de-trabalho, tornou-se pai novamente. A nova paternidade, agora com limitações físicas, fez com que ele refletisse ainda mais sobre suas escolhas e sua nova identidade. Em suas palestras, Mário analisa seu próprio comportamento, expõe erros, compartilha vulnerabilidades e explica o impacto desse acidente-de-trabalho em sua vida pessoal e profissional.

Lições sobre comportamento seguro

Em síntese, Mário destaca a importância de evitar improvisos e de não permitir que a autoconfiança sobreponha os procedimentos. A cultura de segurança deve prevalecer sempre. Máquinas podem falhar, imprevistos acontecem, e é preciso inteligência emocional para tomar decisões seguras. Para ele, o acidente de trabalho ensinou que nenhuma pressa vale mais que a vida.

Por fim, Mário teve que reaprender tudo: fazer a barba, abotoar a camisa, cozinhar, dirigir. Uma nova vida começou após o acidente de trabalho, mostrando que, embora máquinas sejam úteis, também são perigosas — e que segurança nunca pode ser negligenciada.

Conteúdo da palestra:

  • DESCASO COM NORMAS DE SEGURANÇA

  • EXCESSO DE AUTOCONFIANÇA E ACIDENTE DE TRABALHO

  • RISCOS DE ACIDENTES COM MAQUINÁRIO NA INDÚSTRIA

  • BLOQUEIO DE MÁQUINAS E PRESSA

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