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Entrevista-Kika de Castro fotografa pessoas com deficiência e luta para incluí-las no mundo publicitário

em Segunda, 22 Julho 2013. Postado em Deficiência e Amputação

Entrevista-Kika de Castro fotografa pessoas com deficiência e luta para incluí-las no mundo publicitário

Indo na contramão das fotos de modelos cheias de retoques e que beiram à perfeição, Kika de Castro resolveu dar um novo sentido ao seu trabalho. Ela fotografa pessoas com as mais diferentes deficiências e mostra que a beleza e a sensualidade resistem aos indispensáveis aparelhos ortopédicos. Marisa Monte cantou em "Infinito Particular" o seguinte verso: "Faça sua parte, eu sou daqui, eu não sou de Marte", Kika adotou a música como lema e luta para incluir seus modelos no ainda preconceituoso mercado publicitário. O EcoD conversou com a fotógrafa sobre seu trabalho e a lente que foca a beleza da verdade.

EcoD - Como começou a idéia de fotografar pessoas com deficiência?

Kika de Castro - De 1995 a 2001 atuei no campo da comunicação social, sou graduada em Publicidade e Propaganda (criação, planejamento, atendimento e mídia), estava estressada com o mercado de publicidade e resolvi fazer da minha paixão, a fotografia, minha profissão. Comecei em 2000 e inicialmente fotografava para amigos, fiz alguns cursos livres de fotografia e fui entrando nesse mercado. Em 2002 estava à procura de algo na área de fotografia e em um classificado de jornal, achei o número de uma caixa postal, no qual tinha vaga para fotógrafo. Mandei o meu currículo. Para a minha surpresa, era para um centro de reabilitação e hospital para pessoas com deficiência física. Fui selecionada para a vaga de chefe do setor de fotografias. Na época, não tinha nenhuma experiência em fotos cientificas, mas rapidamente fui ficando familiarizada com a rotina de um centro de reabilitação.

Então a ideia não surgiu de uma forma planejada?

Pois é, não foi planejado. Quando cheguei em 2002 no centro de reabilitação, as pessoas não gostavam de ser fotografadas para a instituição. Explico. Eram na maioria, fotos para prontuário médico, seminu ou nu, de frente, costas e as duas laterais: Totalmente invasivo para o paciente, mais de alta importância para o corpo clínico. Era complicado pedir para a pessoa tirar a roupa, ficar na posição solicitada e ainda com a placa que levava o número do prontuário. Todos os pacientes falavam: “são fotos de presidiário?". Eu via nos olhos de cada um a sensação de desconforto, ficavam tímidos, era uma forma fria de registrar a imagem das pessoas. Em 2003 querendo quebrar o gelo, levei para o setor de fotografia alguns acessórios, um pequeno espelho, pente, gel, algumas bijus para dar o ar de estúdio de fotografia, mesmo. Brincava com os pacientes e falava que era uma prévia de fotos para revistas. Deixava o paciente passar um batom, arrumar os cabelos antes de tirar a roupa para as fotos científicas. Ia conversando com eles e tentando quebrar o gelo. O setor foi ficando com ar de estúdio e as pessoas começaram a se soltar. Em 2006, fiz a minha pós-graduação em fotografia e levei esse tema para a minha monografia.

O que é a prática da Fototerapia?

Nada mais é que o resgate da auto estima através das fotos. Em 2005, com as meninas com a auto estima mais que elevada, fiquei na maior saia justa. Elas começaram a me cobrar oportunidades no mercado de trabalho. Fiz alguns books e elas foram para batalha, atrás de oportunidades. Meu trabalho de auto estima estava indo por água baixo quando vi que elas voltaram para o setor com várias respostas negativas. Achei isso um absurdo, elas são lindas, tem talento, fizeram curso de postura, entre outros... Não era possível não ter oportunidades. Entrei em contato com amigos micro-empresários e antigos clientes da época de publicidade, obtive algumas respostas positivas, mas para outras funções como promotoras ou recepcionistas de eventos. Não era isso que queríamos. Comecei uma longa pesquisa. Li que na Alemanha existe um concurso de beleza chamado " A mais bela cadeirante", bem, não era bem isso, mas já era um começo. Um concurso de beleza onde só poderia participar cadeirantes não é inclusivo: E as outras patologias? E o sexo oposto? Onde ficavam? Na França e na Inglaterra existe um reality show só para pessoas com algum tipo de deficiência. Opa, já eram mais inclusivo, homens e mulheres com alguma deficiência em um reality show! Que tudo! Mas, ainda não era totalmente inclusivo: Cadê a socialização com pessoas não deficientes? Mais vi que na Europa a coisa é muito mais evoluída. Então, eu entrei em contato com algumas agências e fizemos alguns trabalhos. Em 2007, resolvi largar a instituição e montar uma agência de modelos para pessoas que tenham algum tipo de deficiência. A partir de 2008 surgiram alguns resultados, alguns anúncios, desfiles de moda - alguns com roupas adaptadas de acordo com cada patologia e poucos inclusivos - onde tivemos na passarela pessoas com e sem deficiência juntas, justamente o que queremos: Fazer parte da sociedade, de igual para igual. Agora em 2010, queremos provar que beleza e deficiência não são palavras opostas. Queremos provar que estamos no mercado de modelos devido à beleza e o profissionalismo.

E como está o mercado de trabalho paramodelos?

Graças a lei de cotas, as pessoas com deficiência conseguem algumas vagas no mercado de trabalho. Porém, quando falamos de moda, fotos, passarelas, enfim, assuntos de beleza e sensualidade, sinto que as pessoas ainda não conseguem superar o preconceito. Na história da humanidade tivemos várias evoluções. Mas na questão da beleza ficamos bem atrasados. Vivemos ainda os padrões dos anos 60, me pergunto: Como o ser humano não evolui nesse sentido? As pessoas com deficiência tem anos de preconceito e ainda temos alguns bons para superar. Tivemos a libertação dos escravos, mais hoje existe a lei de cotas de negros para desfiles de moda, não vejo a necessidade. A pessoa tem que estar ali pelo talento, não por uma obrigatoriedade. Mais quero que essa lei seja aplicada para pessoas com deficiência. São raras as oportunidades para os deficientes mostrarem o seu talento nesse campo. Na publicidade a coisa está bem devagar. Os empresários esquecem que estamos falando de cerca de 30 milhões de pessoas no Brasil com algum tipo de deficiência, que essas mesmas pessoas são consumidoras: elas têm que pagar suas contas, né? Nada é de graça, tudo tem o seu valor.

Você possui uma agência especializada em fotos de deficientes. Acredito que muitos casos interessantes já passaram pelas suas lentes...

Nossa! História na agência é o que não falta, algumas de chorar de rir e outras de chorar de tristeza, mesmo. Vamos primeiro ver os momentos de raiva e tristeza. Uma coisa que é normal é a falta de educação de pessoas sem deficiência ao estacionarem em lugar reservado para pessoas com deficiência. Isso é só o começo. Não vou citar nomes, só os fatos. Uma das minhas modelos foi selecionada para fazer uma campanha, estava combinando tudo com a empresa, tinha mandado fotos do book etc. Porém, o cliente não recebeu a foto em que ela estava com a cadeira de rodas. Na negociação, o cliente começou a explicar o que a modelo tinha que fazer. Seria um trabalho simples, ela teria que ficar sentada com a perna cruzada, atendendo um telefone. Foi aí que a coisa não foi para frente. Quando ele falou que a foto seria sentada, fiz um comentário: (Kika começa a contar o diálogo) - Pode ficar tranqüilo, minha modelo tem muita experiência em ficar sentada, a lesão dela tem uns 3 anos. "Como assim uma lesão?" Minha modelo é cadeirante, conforme a foto que lhe mandei. "Cadeirante?" Sim, ela usa uma cadeira de rodas para se locomover. "Então não vai dar". Eu perguntei o porquê e ele ficou sem resposta por alguns segundos. “Olha, tenho que confirmar com a produção" ele disse. Moral da história, essa confirmação nunca chegou. Mandei e-mails, liguei e nunca mais tivemos contato com esse quase cliente.

Muitos modelos já trilham carreira internacional. O Brasil ainda evolui de forma lenta na inserção dos deficientes no mercado da publicidade? O que impede a entrada deles neste mercado?

O que impede é a pior deficiência da humanidade: o preconceito. Quando a humanidade ver que deficiente precisam ser tratados de igual para igual as coisas melhoram. Deficiente não consome apenas produtos específicos como cadeira de rodas, muletas e outros aparelhos ortopédicos. Eles também consomem comidas, roupas, produtos de higiene... Falta publicidade para isso. Se o empresário parar e pensar, teriam 30 milhões de novos consumidores. Mas, há um ponto muito importante também e que precisa ser levantado. Temos problemas com acessibilidade. São poucos os lugares com ruas sem buracos, faltam rampas, transportes coletivos, nem todos os comércios tem adaptações. Isso impede muitos de saírem de casa. Nem todos têm condições financeiras de ter condução própria. Um ponto importante: Não existe perfeição. Quantas fotos publicadas trazem as modelos sem a intervenção do Photoshop? As minhas são reconhecidas pela ausência de retoques, a beleza existe ao natural. Claro, vaidade é fundamental, cuidar do corpo, fazer exercício, isso sim tem que ser valorizado. Na agência temos algumas modelos com destaque na Alemanha, Luci Lima de Londrina, Paraná; Haonê Thinar de São Paulo e Iones Alonso de Goiânia.

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A baiana Eliane Santos, 30 anos, tetraplégica: "Gosto da atitude dela. Ela sabia que eu ia fazer o caça talentos e não teve dúvidas foi até São Paulo para fazer o book. Força de vontade e determinação são tudo" diz Kika

Você vê diferença no seu contato com os cadeirantes e deficientes antes das fotos e agora?

Muita diferença. O começo sempre é complicado. Durante cinco anos, eu convivi com psicólogas, fisioterapeutas e médicos. Eles me ensinaram muitas coisas sobre as patologias, estudei muito, perguntava, fotografei algumas cirurgias, acompanhava algumas sessões de fisioterapia e fui conhecendo o dia a dia dos meus modelos. No começo, as pessoas tinham vergonha de ser fotografadas, pois não existia essa valorização do belo e, acima de tudo, não tinha essa valorização de ser humano. Bom, os médicos sempre se importaram com a questão humana, mas os pacientes achavam que o direcionamento da fotografia era apenas na deficiência. No começo, viam a deficiência para depois ver a pessoa, sabe? Hoje nas fotos você vê a beleza, vê a pessoa e depois vê a deficiência. E olha que nas fotos nós não escondemos nada, os aparelhos ortopédicos viraram acessórios de moda em minhas fotos. No começo, as pessoas com deficiência não gostavam nem de falar de foto, hoje eu tenho uma lista de espera de pessoas que querem ser fotografadas por mim, incluindo todo o Brasil. Estou me organizando para atender todas, faço questão. Hoje, tenho na agência 65 modelos cadastrados, homens e mulheres de 4 a 59 anos de todas as patologias. Não temos limite de idades. Temos músicos, atletas, atores, artistas plásticos, escritores, jornalistas, políticos. Em todos os campos de trabalho, temos algum exemplo.

Você já sofreu críticas pelo trabalho?

Com certeza! E ainda sofro algumas. No começo, fui chamada de louca, diziam que isso nunca ia dar certo. "Onde já se viu pessoas com deficiência serem bonitas?", as críticas vieram de todos os lados, inclusive de pessoas com deficiência. Todo começo é complicado, não dei importância para essas criticas, corri atrás do que acreditava e montei a agência com apenas seis pessoas, que estam comigo até hoje, que me apoiam. Em 2005, eu tinha uma única pessoa que me motivava, hoje perdi as contas, graças a Deus. Hoje, as criticas são menores, ainda bem. Alguns empresários ainda não abrem espaço quando falamos de beleza e sensualidade, devido ao velho preconceito, mas com certeza existe beleza na diversidade - nos negros, nos japoneses, nas pessoas loiras, morenas, altas, baixas, com deficiência e sem deficiência. Tem uma frase do doutor Ivo Pitanguy que se eu não me engano diz que "a beleza eu não sei definir, mais sei valorizar quando vejo". Tem tudo a ver com o meu trabalho.

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Matéria feita pelo site.

http://www.ecodesenvolvimento.org.br/noticias/para-quem-nao-tem-nada-a-esconder/view#1263176031

Para quem não tem nada a esconder

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